Fifa analisa proposta para interromper jogos em caso de choque de cabeça

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Em uma conferência de futebol realizada na cidade de Manchester, Inglaterra, entre os dias 6 e 10 de setembro, a Fifa se mostrou preocupada com o aumento dos casos de concussão cerebral nas partidas. Chefe do Comitê Médico da entidade, Michel D'Hooghe, comentou que o tempo dos profissionais para avaliar se o jogador lesionado está apto ou não para continuar em campo é muito curto e formulou a proposta para que a partida seja interrompida pelo árbitro por três minutos.

- Quando existe uma suspeita de concussão, o árbitro deve parar o jogo por três minutos. Porque três minutos é o tempo necessário para o médico do time avaliar a situação do jogador. Claro, se ele está inconsciente, a decisão é tomada rapidamente. Mas existem situações em que ele precisa falar com o jogador e perguntar: "você está em um campo de futebol ou em um supermercado?" - comentou Michel D'Hooghe.

O assunto ganhou importância e preocupação para a Fifa na Copa do Mundo realizada no Brasil esse ano. No torneio, cinco jogadores sofreram choques na cabeça, sendo o caso do uruguaio Álvaro Pereira, na partida contra a Inglaterra, quando chegou a ficar inconsciente por alguns instantes, o mais emblemático. Na ocasião, o lateral esquerdo celeste deu um carrinho e bateu a cabeça no joelho do atacante inglês, ficando desacordado, mas se levantou em seguida, contrariando o médico e o técnico do Uruguai para retornar à partida.

No Brasil, o tema também já vem sendo debatido entre os especialistas. O Comitê Médico da Federação Paulista de Futebol (FPF) se reuniu recentemente para pensar em novas formas de proteger os jogadores.

- O que a gente vai sugerir é que, quando tenha uma perda de consciência, é que não haja dúvida e o atleta deva ser substituído compulsóriamente. Mas que, para não dar essa decisão, como a federação inglesa dá para o juiz, que o árbitro faça a pergunta ao médico do clube se aquele atleta tem condição de retornar ou não - disse o médico Jorge Pagura, lembrando que, no Campeonato Inglês, todo atleta que perde a consciência em campo é obrigado a ser substituído.

Outra proposta do Comitê Médico da FPF é incluir, no início da temporada, exames completos com as funções cerebrais dos atletas, criando assim, um banco de dados de comparação para os jogadores que vierem a sofrer alguma concussão.

- Assim como o Eletrocardiograma faz um exame do coração antes de começar a fazer exercício e ao longo tempo, a gente vai ter como ele era originalmente. Na concussão, a gente tem esses testes de pré-temporada, então, sabemos como é o normal dele, sabemos qual é o basal dele e, assim que ele tiver um trauma, sabemos comparativamente que ele está alterado ou não, e conseguimos consequentemente seguir a evolução falando que ele está apto ou não a voltar a jogar - falou o médico Marco Eid.

A reportagem é do canal SporTV

Foto: Reuters